Quando um livro deixa de ser apenas uma história e começa a conversar connosco!
Há livros que lemos.Há livros que sentimos.
E há livros que parecem chegar até nós no momento em que precisávamos de encontrar determinadas palavras.
Nesse momento, já não estamos apenas a ler um livro.
Estamos também, de alguma forma, a ler-nos a nós próprios.
É nesse encontro entre livros, histórias, emoções e pessoas que encontramos a essência da Biblioterapia.
O que é a Biblioterapia?
A palavra Biblioterapia nasce da união de dois termos de origem grega: biblion, associado ao livro, e therapeia, relacionado com cuidado, acompanhamento ou tratamento.De uma forma simples, podemos dizer que a Biblioterapia utiliza a leitura e as histórias como recursos para favorecer reflexão, expressão, diálogo, autoconhecimento e desenvolvimento humano.
Podem ser utilizados romances, contos, poesia, biografias, histórias infantis, textos de reflexão e outros géneros literários.
Mas a Biblioterapia não acontece apenas porque alguém leu um livro.
O que verdadeiramente nos interessa é o encontro que acontece entre aquilo que está escrito e aquilo que existe dentro do leitor.
Duas pessoas podem ler exatamente a mesma história e serem tocadas por partes completamente diferentes.
Porquê?
Porque cada pessoa chega ao livro com a sua própria história.
Com as suas memórias.
Com os seus afetos.
Com as suas experiências.
Com as suas perguntas.
Com aquilo que já compreendeu — e também com aquilo que ainda procura compreender.
Por isso, um livro pode funcionar como espelho, janela e ponte.
Espelho, quando reconhecemos alguma coisa de nós numa personagem ou numa história.
Janela, quando nos permite conhecer outras formas de viver, sentir e compreender o mundo.
Ponte, quando cria uma passagem entre aquilo que lemos e aquilo que começamos a descobrir sobre nós próprios e sobre os outros.
Como surgiu a Biblioterapia?
A relação entre leitura e cuidado é muito mais antiga do que a própria palavra Biblioterapia.Ao longo da história, diferentes culturas reconheceram nos livros e nas histórias uma possibilidade de consolo, reflexão, aprendizagem e transformação.
Uma referência frequentemente associada a esta tradição é a antiga biblioteca de Tebas, no Egito, à qual foi atribuída a expressão “lugar de cura da alma” — embora a formulação e a tradução variem entre fontes históricas.
Séculos depois, a relação entre leitura e cuidado começou a ganhar uma utilização mais organizada.
Nos séculos XVIII e XIX existem registos do uso de livros e da leitura em instituições hospitalares e de saúde mental.
Mas foi sobretudo no início do século XX que o termo Biblioterapia começou a consolidar-se.
Em 1916, o ensaísta e ministro norte-americano Samuel McChord Crothers utilizou o termo bibliotherapy num artigo publicado na revista The Atlantic Monthly, contribuindo para a sua difusão.
Durante e após as duas Guerras Mundiais, livros e serviços de leitura também foram utilizados em hospitais e instituições que acompanhavam soldados e veteranos, reforçando o interesse pela leitura enquanto recurso de apoio e recuperação.
Ao longo das décadas seguintes, a Biblioterapia foi sendo estudada e aplicada em diferentes contextos: bibliotecas, escolas, hospitais, universidades, grupos comunitários, projetos sociais e espaços de desenvolvimento humano.
E a sua prática foi assumindo diferentes formas e abordagens.
Hoje podemos encontrar propostas de Biblioterapia em contextos clínicos, educativos, sociais, culturais e de desenvolvimento pessoal, devendo cada prática respeitar a formação dos profissionais envolvidos e os limites do contexto em que é realizada.
Então, o que acontece numa experiência de Biblioterapia?
Talvez esta seja uma das perguntas mais importantes.
Porque Biblioterapia não significa simplesmente:
“Tenho um problema. Que livro devo ler?”
Um livro não é uma receita.
E uma história não precisa oferecer respostas prontas.
Na experiência biblioterapêutica, a leitura pode tornar-se um ponto de partida para observar aquilo que acontece dentro de nós.
Podemos perguntar:
Que personagem me tocou mais?
Que personagem me incomodou?
Que frase ficou comigo depois da leitura?
Que emoção apareceu?
Que memória surgiu?
Por que razão esta parte da história me afetou e outra não?
O que esta história me está a fazer pensar sobre a minha própria história?
É aqui que o livro deixa de ser apenas um objeto que seguramos nas mãos.
Torna-se uma possibilidade de encontro.
A Biblioterapia com Edmar
Onde os livros encontram as emoções e a consciência
A minha relação com a Biblioterapia nasceu e foi-se aprofundando através de diferentes caminhos que acabaram por se encontrar: os livros, a escrita, a psicoterapia, as emoções, a educação, o desenvolvimento humano e a consciência.Ao longo dos anos, fui percebendo que uma das maiores forças de um livro não está apenas naquilo que o autor escreveu.
Está também naquilo que o leitor encontra dentro de si enquanto lê.
Por isso, quando trabalho um livro, não me interessa apenas perguntar:
“O que diz esta história?”
Interessa-me também perguntar:
“O que esta história despertou em si?”
Que memória apareceu?
Que emoção surgiu?
Onde sentiu resistência?
Com que personagem se identificou?
Que comportamento o incomodou?
Que frase teve vontade de guardar?
Que pergunta levou consigo depois de fechar o livro?
Porque é precisamente aí que começa um dos movimentos mais interessantes da leitura:
quando deixamos de observar apenas a personagem e começamos a observar também o leitor que existe em nós.
LER → SENTIR → COMPREENDER → TRANSFORMAR
Estas quatro palavras tornaram-se o eixo da Biblioterapia com Edmar.
Não representam uma fórmula rígida.
Representam um percurso.
LER
Entrar numa história.
Conhecer outras personagens, conflitos, escolhas, perdas, encontros e possibilidades.
Durante algum tempo, permitir que outras palavras interrompam as nossas certezas.
SENTIR
Perceber o que a leitura desperta.
Uma emoção.
Uma memória.
Um incómodo.
Uma identificação.
Uma resistência.
Uma vontade de chorar, sorrir, discutir ou simplesmente permanecer em silêncio.
Antes de interpretar, podemos começar por perguntar:
“O que senti?”
COMPREENDER
Depois de sentir, podemos observar.
Por que razão aquela passagem me tocou?
O que reconheci naquela personagem?
Esta emoção pertence apenas à história que estou a ler ou encontrou alguma coisa da minha própria história?
Compreender não significa encontrar imediatamente uma resposta.
Às vezes significa simplesmente aprender a fazer uma pergunta mais verdadeira.
TRANSFORMAR
E finalmente chegamos à transformação.
Não necessariamente a uma grande mudança.
Às vezes a transformação começa discretamente:
numa consciência que antes não existia;
num limite que começamos a reconhecer;
numa conversa que decidimos ter;
num comportamento que passamos a observar;
ou numa escolha que percebemos que também poderia ser feita de outra maneira.
O livro termina.
Mas aquilo que ele despertou pode continuar.
O livro como espelho
Há uma pergunta que gosto particularmente de fazer nas minhas experiências de Biblioterapia:
“O que viu de si nesta história?”
Talvez seja essa uma das maiores possibilidades da leitura.
Podemos começar a ler interessados na vida de uma personagem e terminar a pensar na nossa.
Podemos discordar de alguém numa história e descobrir que aquela irritação nos está a mostrar alguma coisa.
Podemos admirar uma personagem e perceber que desejávamos ter a mesma coragem.
Podemos encontrar numa frase palavras para uma emoção que carregávamos há muito tempo.
E podemos perceber que aquilo que julgávamos ser apenas “uma história” tocou numa história muito mais próxima:
a nossa.
Biblioterapia é encontro
Na Biblioterapia com Edmar, não procuro dizer ao leitor aquilo que ele deve encontrar num livro.
Procuro criar condições para que possa descobrir o que aquele livro encontrou nele.
Por isso trabalhamos com leitura, perguntas, silêncio, diálogo, escrita, emoções, memórias, metáforas, imagens e exercícios de reflexão.
Individualmente ou em grupo, uma história pode abrir um espaço onde diferentes experiências humanas se encontram.
Não precisamos sentir todos a mesma coisa.
Não precisamos interpretar todos da mesma maneira.
Porque cada leitor leva para o livro uma história diferente.
E é precisamente essa singularidade que torna cada encontro tão especial.
Uma pergunta para si
Antes de sair desta página, não quero deixar-lhe uma definição.
Quero deixar-lhe uma pergunta.
Pense num livro que tenha marcado a sua vida.
Talvez seja um romance.
Um conto da infância.
Um poema.
Uma biografia.
Ou simplesmente uma história que apareceu num determinado momento.
Agora pergunte a si próprio:
Por que razão esse livro ficou comigo?
E depois vá um pouco mais fundo:
O que encontrei de mim naquela história?
Talvez a resposta esteja numa personagem.
Talvez numa frase.
Talvez numa emoção.
Talvez ainda não tenha resposta.
Não faz mal.
Porque a Biblioterapia também pode começar assim:
com um livro nas mãos e uma pergunta dentro de nós.
BIBLIOTERAPIA COM EDMAR
Onde os livros encontram as emoções e a consciência.
LER. SENTIR. COMPREENDER. TRANSFORMAR.




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