A Emoção do Alerta e da Antecipação
Quantas vezes já sofreu por alguma coisa que ainda nem aconteceu?
Uma conversa que ainda não teve.
Um resultado que ainda não chegou.
Uma decisão que ainda não tomou.
Uma possibilidade que talvez nunca aconteça.
O corpo está aqui.
Mas a mente já foi para amanhã.
E começa a criar perguntas:
É neste território entre o presente que estamos a viver e o futuro que estamos a imaginar que encontramos a quarta emoção da nossa Biblioteca das Emoções:
ANSIEDADE
No livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, a ansiedade é apresentada como uma emoção ligada ao alerta e à antecipação.
Diferentemente do medo perante uma ameaça imediata, a ansiedade pode surgir diante daquilo que ainda é incerto: quando o futuro parece imprevisível, ambíguo ou potencialmente ameaçador.
Talvez por isso exista uma frase do próprio capítulo que resume tão bem esta experiência:
A ansiedade alimenta-se do “talvez” e daquilo que pode acontecer, mas ainda não aconteceu.
QUANDO A MENTE VIVE AMANHÃ E O CORPO PAGA A CONTA HOJE
A ansiedade não acontece apenas nos pensamentos.
O corpo participa.
Podemos sentir inquietação, tensão muscular, respiração alterada, aceleração cardíaca e dificuldade de concentração. E mentalmente podem surgir pensamentos repetitivos, antecipações negativas e aquela sensação de estarmos permanentemente “ligados”.
Mas talvez exista uma pergunta anterior a todas as outras:
“O que estou a tentar controlar porque tenho medo de não conseguir lidar com o que poderá acontecer?”
O capítulo relaciona a ansiedade com experiências de incerteza e falta de controlo, mas também com expectativas elevadas, perfeccionismo, autocobrança, medo de falhar, rejeição e mudanças importantes.
Por isso, nem sempre basta perguntar:
“Como faço para deixar de sentir ansiedade?”
Talvez outra pergunta possa ser mais reveladora:
“O que a minha ansiedade está a tentar antecipar, evitar ou proteger?”
E EM SI?
Pense numa situação que atualmente lhe provoca ansiedade.
Agora tente não resolver nada.
Apenas observe.
Aquilo que o preocupa está a acontecer agora ou poderá acontecer no futuro?
O que teme que aconteça?
Que parte dessa situação depende realmente de si?
Que parte está completamente fora do seu controlo?
Está preocupado com aquilo que deseja — ou com aquilo que os outros esperam de si?
Existe alguma decisão que tem adiado porque teme errar?
Está a exigir de si uma certeza que a vida simplesmente não pode oferecer?
E talvez uma das perguntas mais importantes:
“Se aquilo que temo realmente acontecesse, que recursos teria para lidar com isso?”
Porque às vezes não tememos apenas o acontecimento.
Tememos acreditar que não seremos capazes de enfrentá-lo.
EXERCÍCIO DA SEMANA
DO “E SE?” PARA O “O QUE EXISTE AGORA?”
Durante os próximos sete dias, sempre que perceber que entrou num ciclo de antecipação, pare por alguns minutos.
Pegue numa folha e escreva primeiro:
O meu “E SE?” de hoje é: __________
Por exemplo:
Depois responda a cinco perguntas:
1. O que está realmente a acontecer neste momento?
Separe o facto daquilo que está apenas a imaginar.
2. O que estou a prever?
Escreva o cenário que a sua mente está a construir.
3. Tenho evidências de que isso acontecerá ou estou diante de uma possibilidade?
Observe sem julgar.
4. O que depende de mim agora?
Procure apenas uma ação concreta.
Telefonar. Preparar-se. Pedir ajuda. Organizar algo. Conversar. Descansar. Dizer não. Ou simplesmente esperar.
5. O que não depende de mim?
Reconheça-o.
E experimente, por alguns instantes, não resolver mentalmente aquilo que ainda não existe.
O CORPO TAMBÉM PRECISA DE REGRESSAR AO PRESENTE
Depois de escrever, coloque os pés no chão.
Observe a sua respiração sem a forçar.
Olhe à sua volta.
Identifique mentalmente:
E pergunte:
“Neste exato momento, o que está realmente a acontecer?”
O objetivo não é negar aquilo que o preocupa.
É ajudar a distinguir:
O QUE ESTÁ A ACONTECER
de
O QUE TEMO QUE POSSA ACONTECER.
O próprio capítulo propõe trabalhar a ansiedade através da regulação e do regresso ao “agora”, procurando também tornar as interpretações mais realistas, estabelecer limites e reduzir sobrecargas.
NO FINAL DOS SETE DIAS
Releia os seus registos.
Não procure saber quantas vezes ficou ansioso.
Procure descobrir sobre o que ficou ansioso.
Existem temas que se repetem?
Medo de falhar?
Necessidade de controlo?
Rejeição?
Dinheiro?
Saúde?
Trabalho?
Relacionamentos?
Opinião dos outros?
Perfeccionismo?
Incerteza?
Depois complete:
“A minha ansiedade aparece com mais frequência quando…”
E:
“Quando ela aparece, aquilo de que talvez eu esteja a precisar é…”
Pode descobrir que por detrás da ansiedade existe uma necessidade de segurança, descanso, preparação, limite, apoio, clareza ou simplesmente aceitação da incerteza.
A PERGUNTA DA SEMANA
O livro apresenta uma ideia essencial: a ansiedade pode alertar, preparar e proteger; mas, quando se torna demasiado intensa ou persistente, pode deixar de ser funcional e começar a limitar a vida.
Por isso, esta semana não lhe proponho lutar contra a ansiedade.
Proponho-lhe escutá-la sem lhe entregar o comando.
Quando ela disser:
“E se…?”
experimente responder:
“Não sei. Mas o que posso fazer agora?”
E leve consigo esta pergunta:
“Estou a viver aquilo que está a acontecer — ou aquilo que tenho medo que aconteça?”
Talvez não possamos controlar o futuro.
Mas podemos aprender a regressar ao lugar onde a vida está realmente a acontecer:
o presente.
NA PRÓXIMA SEMANA
📖 PARA APROFUNDAR ESTA EMOÇÃO
Esta reflexão e o exercício da Semana 04 — Ansiedade foram inspirados e adaptados do livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, de Edmar Silva, especialmente do capítulo “Ansiedade — A Emoção do Alerta e da Antecipação” e das propostas de reflexão da obra.
No livro, esta emoção é explorada com maior profundidade nas suas dimensões psicológica, corporal e quotidiana, bem como nas possibilidades de regulação e compreensão.
BIBLIOTERAPIA COM EDMAR — O ALFABETO DAS EMOÇÕES
Edmar Silva
Para quem desejar aprofundar esta e as restantes emoções do percurso das 27 semanas.
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