Da Energia, Possibilidade e Movimento
O que existe hoje na sua vida que ainda consegue fazê-lo dizer: “Mal posso esperar”?
Lembra-se da sensação?
Na noite anterior a uma viagem.
Antes de encontrar alguém especial.
Quando começa um projeto.
Quando recebe uma boa notícia.
Quando descobre uma possibilidade.
Quando surge uma ideia e, de repente, parece que alguma coisa dentro de si ganhou velocidade.
O coração acelera.
A respiração muda.
A energia aumenta.
A imaginação começa a construir aquilo que ainda nem aconteceu.
É neste território que encontramos a décima primeira emoção da nossa Biblioteca das Emoções:
EXCITAÇÃO
No livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, a excitação é apresentada como um estado de elevada ativação. O corpo pode reagir antes mesmo de interpretarmos conscientemente aquilo que está a acontecer; depois, atribuímos significado a essa ativação.
Talvez seja por isso que, quando estamos verdadeiramente entusiasmados, sentimos:
“Há alguma coisa a acontecer dentro de mim antes mesmo de acontecer fora de mim.”
O FUTURO TAMBÉM PODE DESPERTAR O CORPO
A ansiedade, que trabalhámos na Semana 04, também olha para o futuro.
Mas existe uma diferença interessante.
Na ansiedade, podemos pensar:
“E se correr mal?”
Na excitação:
“E se isto for maravilhoso?”
Ambas podem acelerar o coração.
Ambas podem alterar a respiração.
Ambas podem produzir antecipação.
Mas o significado que atribuímos àquilo que sentimos pode ser diferente.
O capítulo apresenta a excitação como uma força ligada à curiosidade, à ação, à antecipação prazerosa e ao reconhecimento de possibilidades.
E talvez isso nos ensine algo:
Nem todo coração acelerado está a dizer “fuja”. Às vezes está a dizer “vá”.
O QUE AINDA O ENTUSIASMA?
Pare um instante.
Não pense naquilo que deveria entusiasmá-lo.
Pergunte:
“O que verdadeiramente acende alguma coisa dentro de mim?”
Pode ser viajar.
Ensinar.
Aprender.
Escrever.
Criar.
Dançar.
Começar um projeto.
Conhecer alguém.
Ler.
Estudar.
Estar com determinada pessoa.
Imaginar uma mudança.
Construir alguma coisa.
Ajudar.
Descobrir.
Agora outra pergunta:
“Há quanto tempo não sinto entusiasmo por alguma coisa?”
Esta pergunta também merece atenção.
Porque talvez passemos tanto tempo a cumprir obrigações que deixamos de perceber aquilo que ainda nos desperta vitalidade.
EXISTE UMA DIFERENÇA ENTRE ESTAR OCUPADO E ESTAR VIVO
Podemos terminar um dia completamente cansados.
Responder a dezenas de mensagens.
Cumprir tarefas.
Resolver problemas.
Participar em reuniões.
Correr de um lado para outro.
E ainda assim sentir:
“Hoje fiz muitas coisas, mas nenhuma delas me acendeu.”
Estar cheio de atividades não significa necessariamente estar cheio de vida.
Por isso experimente perguntar:
“Aquilo que ocupa a maior parte do meu tempo também recebe a melhor parte da minha energia?”
Talvez esta pergunta incomode.
E talvez seja precisamente por isso que vale a pena fazê-la.
E EM SI?
Pense nos últimos meses.
Quando sentiu verdadeira excitação pela última vez?
O que estava prestes a acontecer?
Como percebeu essa emoção no corpo?
O que começou imediatamente a imaginar?
Essa energia levou-o a agir?
Ou ficou apenas na fantasia?
Costuma transformar entusiasmo em projetos concretos?
Ou começa muitas coisas e abandona-as quando a intensidade inicial desaparece?
E uma pergunta especialmente importante:
“Preciso estar constantemente entusiasmado para continuar aquilo que comecei?”
QUANDO O ENTUSIASMO SE TORNA PRESSA
Existe também o outro lado.
Recebemos uma ideia.
Ficamos entusiasmados.
E queremos fazer tudo imediatamente.
Compramos.
Decidimos.
Prometemos.
Marcamos.
Começamos.
Contamos a toda a gente.
E, algumas horas ou dias depois, pensamos:
“Talvez devesse ter esperado um pouco.”
O livro alerta precisamente para esta possibilidade: níveis muito elevados de excitação podem favorecer impulsividade, dispersão, decisões precipitadas, exaustão posterior e procura contínua de novos estímulos.
Por isso:
ENTUSIASMO NÃO PRECISA DE PRESSA.
Uma emoção pode trazer energia.
Mas a consciência continua responsável pela direção.
EXERCÍCIO DA SEMANA
O MAPA DAQUILO QUE ME ACENDE
Pegue numa folha e escreva:
NOS ÚLTIMOS 12 MESES, SENTI-ME VERDADEIRAMENTE ENTUSIASMADO QUANDO…
Registe pelo menos dez momentos.
Não precisam ser acontecimentos extraordinários.
Talvez tenha sido uma conversa.
Uma viagem.
Uma aula.
Uma ideia.
Um livro.
Uma pessoa.
Uma descoberta.
Um projeto.
Uma caminhada.
Uma oportunidade.
Depois observe a lista.
Procure padrões.
O que existe em comum entre esses momentos?
Pessoas?
Criatividade?
Aprendizagem?
Novidade?
Movimento?
Reconhecimento?
Partilha?
Desafio?
Liberdade?
Conexão?
Descoberta?
Talvez esteja diante de pistas importantes sobre aquilo que lhe devolve vitalidade.
AGORA FAÇA O CONTRÁRIO
Escreva:
NOS ÚLTIMOS MESES, SINTO QUE A MINHA ENERGIA DESAPARECE QUANDO…
Observe novamente.
Não precisa mudar tudo.
Apenas perceba.
Porque autoconhecimento também é descobrir:
o que nos acende e o que nos apaga.
O EXERCÍCIO DAS 24 HORAS
Agora escolha uma coisa que atualmente o entusiasma.
Pode ser uma ideia, compra, projeto, viagem, convite, mudança ou decisão.
Pergunte:
O que estou a sentir?
O que estou a imaginar?
O que quero fazer imediatamente?
Depois, sempre que a decisão puder esperar sem prejuízo, dê-lhe 24 horas.
No dia seguinte pergunte:
“Continuo a querer isto quando a intensidade diminuiu?”
Se a resposta continuar a ser sim, avance para outra pergunta:
“Qual é o primeiro passo concreto e responsável?”
Isto não serve para matar o entusiasmo.
Serve para lhe dar direção.
O capítulo recomenda precisamente transformar entusiasmo em ação concreta, combinando a energia com pausas, organização, expectativas realistas e estrutura.
DA POSSIBILIDADE À REALIZAÇÃO
Existe um momento maravilhoso em qualquer projeto:
o início.
Tudo parece possível.
O livro que ainda não foi escrito.
A viagem que ainda não começou.
O curso que ainda não aconteceu.
A relação que está a nascer.
O projeto que existe apenas numa folha.
Mas existe outro momento menos excitante:
a continuidade.
É quando a novidade desaparece.
E precisamos continuar.
Talvez aí exista uma diferença fundamental:
A excitação começa. A disciplina continua.
Precisamos das duas.
Sem entusiasmo, podemos perder vitalidade.
Sem continuidade, podemos acumular começos que nunca se transformam em história.
UMA EXPERIÊNCIA PARA ESTA SEMANA
Escolha uma coisa que o entusiasma e que gostaria verdadeiramente de desenvolver.
Agora transforme:
ENERGIA → DIREÇÃO → AÇÃO
Escreva:
Aquilo que me entusiasma: __________
Por que isto é importante para mim: __________
O que quero que exista daqui a três meses: __________
O primeiro passo possível: __________
Quando vou realizá-lo: __________
Depois faça apenas esse primeiro passo.
Não precisa construir tudo hoje.
Precisa começar de forma que amanhã ainda consiga continuar.
NO FINAL DOS SETE DIAS
Volte aos seus registos.
E responda:
“O que descobri que verdadeiramente me dá energia?”
Depois:
“Onde estou a gastar energia sem encontrar significado?”
E finalmente:
“Existe alguma parte de mim que está a pedir mais espaço para viver?”
Talvez seja criatividade.
Curiosidade.
Aventura.
Aprendizagem.
Afeto.
Movimento.
Um projeto antigo.
Uma vontade que foi sendo adiada.
Não significa que precise abandonar tudo.
Talvez precise apenas voltar a abrir uma pequena janela.
A PERGUNTA DA SEMANA
O capítulo termina com uma síntese particularmente adequada ao nosso percurso: trabalhar a excitação significa aprender a transformar energia em direção, entusiasmo em ação e possibilidade em realização.
Por isso, durante esta semana não pergunte apenas:
“O que tenho de fazer?”
Experimente também:
“O que me faz querer levantar-me e fazer?”
Porque talvez a nossa vida não precise estar permanentemente excitante.
A calma também é necessária.
O silêncio também.
O descanso também.
Mas uma vida sem nenhum espaço para entusiasmo pode estar a dizer-nos alguma coisa.
Às vezes, aquilo que nos entusiasma é uma pista sobre o lugar para onde a nossa energia gostaria de ir.
NA PRÓXIMA SEMANA
📖 PARA APROFUNDAR ESTA EMOÇÃO
Esta reflexão e os exercícios da Semana 11 — Excitação foram inspirados e adaptados do livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, de Edmar Silva, especialmente do capítulo “Excitação — Da Energia, Possibilidade e Movimento”.
Na obra, esta emoção é aprofundada como energia de antecipação, motivação e movimento, mas também na necessidade de equilibrar intensidade, estrutura, autorregulação e expectativas realistas.
BIBLIOTERAPIA COM EDMAR — O ALFABETO DAS EMOÇÕES
Edmar Silva
O livro-base da Biblioteca das Emoções e do percurso pelas 27 emoções.
📚 OUTRA LEITURA DE EDMAR SILVA
ÂNCORA — SEMEIA A TUA HISTÓRIA
Para a Excitação, voltaria propositadamente ao quarto ÂNCORA, mas por uma razão diferente da Semana 09.
No Desejo perguntámos:
“Que desejo merece tornar-se uma semente?”
Agora avançamos um passo:
“O que fazemos com a energia quando a semente começa a querer nascer?”
Semeia a Tua História trabalha precisamente com a ideia de germinação: não basta imaginar aquilo que queremos fazer nascer; é necessário cuidar, acompanhar e sustentar o processo.
Por isso, esta semana terminaria com três palavras:
ENTUSIASMAR-SE → COMEÇAR → CONTINUAR
E com uma última pergunta:
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