Da Atração, Vitalidade e Conexão
Tudo aquilo que deseja nasceu verdadeiramente de si?
Desejamos pessoas.
Desejamos experiências.
Desejamos reconhecimento.
Desejamos segurança.
Desejamos dinheiro.
Desejamos viajar.
Desejamos mudar.
Desejamos ser amados.
Desejamos começar.
Desejamos terminar.
Desejamos aquilo que temos.
E, curiosamente, às vezes desejamos ainda mais aquilo que não podemos ter.
Mas raramente paramos diante de uma pergunta:
“Por que desejo aquilo que desejo?”
É neste território de atração, movimento, corpo, imaginação e procura que encontramos a nona emoção da nossa Biblioteca das Emoções:
DESEJO
No livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, o desejo é apresentado como uma força que nos move em direção a uma pessoa, objeto, experiência ou estado que queremos alcançar. Envolve motivação, intenção e projeção no futuro.
Talvez o desejo seja uma das formas através das quais a vida nos diz:
“Há alguma coisa para a qual a sua energia está a apontar.”
Mas isso não significa que todo desejo precise ser realizado.
Significa que talvez mereça ser compreendido.
O QUE DESEJA?
Experimente responder rapidamente:
“Neste momento da minha vida, eu desejo…”
Complete.
Agora outra vez:
“Se ninguém me julgasse, eu admitiria que desejo…”
E mais uma:
“Há muito tempo desejo…, mas continuo a adiar.”
As respostas são iguais?
Talvez não.
Porque existe aquilo que dizemos desejar.
Aquilo que acreditamos que deveríamos desejar.
E aquilo que, silenciosamente, realmente nos move.
DE QUEM É ESTE DESEJO?
Talvez esta seja uma das perguntas mais importantes desta semana.
Desde cedo aprendemos o que significa, socialmente, uma vida considerada bem-sucedida.
Estudar.
Trabalhar.
Ter determinados bens.
Construir determinadas relações.
Alcançar determinadas posições.
Ser reconhecido.
Ser admirado.
Pertencer.
Nada disso é necessariamente um problema.
O problema começa quando deixamos de perguntar:
“Eu quero isto — ou aprendi que deveria querer isto?”
Há desejos que nascem de nós.
E há desejos que talvez tenham sido plantados pela família, cultura, comparação, publicidade, medo de ficar para trás ou necessidade de aprovação.
Por isso:
Nem tudo aquilo que perseguimos foi necessariamente escolhido por nós.
O CORPO TAMBÉM DESEJA
Existe ainda uma dimensão fundamental abordada no livro:
o desejo não acontece apenas na cabeça.
Ele também acontece no corpo.
O capítulo descreve-o como uma experiência que integra atenção, imaginação, sensações físicas, atração, curiosidade e energia interna. O desejo pode favorecer aproximação, contacto e conexão com aquilo que percebemos como significativo ou atraente.
No campo das relações, pode nascer de um olhar.
De uma voz.
De um toque.
De um cheiro.
Da intimidade.
Da vulnerabilidade partilhada.
Da fantasia.
Da memória.
Daquilo que imaginamos que poderá acontecer.
Mas existe aqui uma distinção fundamental:
Desejar alguém não significa possuir alguém.
Desejo não elimina limites.
Não substitui consentimento.
Não é sinónimo de amor.
Não cria obrigação no outro.
O próprio livro salienta a importância da consciência corporal, comunicação clara, limites, respeito, consentimento, autorregulação e responsabilidade.
Talvez maturidade emocional seja conseguir reconhecer:
“Eu desejo.”
sem transformar isso automaticamente em:
“Eu tenho de ter.”
DESEJO OU NECESSIDADE DE PREENCHIMENTO?
Agora entramos numa zona ainda mais profunda.
Às vezes queremos algo.
Conseguimos.
Sentimos satisfação.
E pouco tempo depois surge outro desejo.
Depois outro.
Depois outro.
Talvez o problema não esteja em desejar.
Talvez esteja em esperar que aquilo que desejamos preencha definitivamente aquilo que sentimos faltar.
Por isso pergunte:
Quando consigo aquilo que desejo, consigo usufruir?
Ou imediatamente começo a procurar a próxima coisa?
Desejo porque aquilo me atrai — ou porque acredito que sem aquilo não sou suficiente?
Desejo aquela pessoa — ou desejo sentir-me escolhido por ela?
Desejo reconhecimento — ou desejo provar o meu valor?
Desejo sucesso — ou tenho medo de parecer fracassado?
E uma pergunta especialmente provocadora:
“Se eu conseguisse amanhã tudo aquilo que digo desejar, o que continuaria a faltar dentro de mim?”
EXERCÍCIO DA SEMANA
O MAPA DOS MEUS DESEJOS
Pegue numa folha.
Escreva no centro:
EU DESEJO…
Agora escreva, sem pensar demasiado, dez coisas que deseja atualmente.
Podem ser materiais, emocionais, profissionais, relacionais, corporais, afetivas, espirituais ou pessoais.
Não julgue.
Apenas escreva.
Depois, ao lado de cada desejo, coloque uma destas quatro letras:
Um desejo pode ter mais de uma letra.
AGORA ESCOLHA APENAS UM
Escolha o desejo que mais o surpreendeu.
E responda:
Quando nasceu este desejo?
Quem ou o que o influenciou?
O que acredito que sentirei quando o realizar?
O que este desejo diz sobre aquilo que valorizo?
Que necessidade poderá existir por baixo dele?
O que estou disposto a fazer para o concretizar?
O que não estou disposto a sacrificar para o conseguir?
E finalmente:
“Este desejo aproxima-me da pessoa que quero tornar-me?”
DESEJO NÃO É DECISÃO
Esta distinção pode transformar a semana.
Podemos desejar e não agir.
Podemos sentir atração e estabelecer limites.
Podemos desejar alguma coisa e perceber que o preço não corresponde aos nossos valores.
Podemos desejar duas coisas incompatíveis.
Podemos até descobrir que aquilo que desejávamos já não nos representa.
O livro alerta que, quando o desejo não é compreendido ou regulado, podem surgir impulsividade, idealização, dependência e dificuldades com limites; propõe integrar impulso e consciência para transformar energia em escolha deliberada.
Por isso:
DESEJO → CONSCIÊNCIA → ESCOLHA
Entre desejar e fazer pode existir um espaço.
E nesse espaço está a nossa responsabilidade.
UMA EXPERIÊNCIA PARA SETE DIAS
Durante esta semana, sempre que sentir um desejo suficientemente forte, não tente imediatamente satisfazê-lo nem reprimi-lo.
Pare.
Observe.
E escreva:
Estou a desejar: __________
Sinto este desejo no meu corpo como: __________
Se pudesse falar, este desejo diria: __________
O que espero sentir se conseguir aquilo que desejo? __________
Preciso agir agora? __________
No final escreva:
“Eu posso sentir um desejo sem precisar obedecer-lhe imediatamente.”
O objetivo não é controlar o desejo.
É conhecê-lo.
NO FINAL DOS SETE DIAS
Volte à lista dos dez desejos.
Leia novamente.
Talvez alguns continuem importantes.
Talvez outros tenham perdido força.
Talvez perceba que um desejo escondia uma necessidade completamente diferente.
Agora escolha um desejo que considere verdadeiramente seu.
E faça uma última pergunta:
“Qual é a menor ação concreta que posso realizar para aproximar-me dele?”
Depois faça-a.
Porque compreender o desejo também significa reconhecer a sua função de movimento e vitalidade. O livro apresenta-o como uma força que pode revelar preferências, limites e necessidades, contribuindo também para o autoconhecimento.
A PERGUNTA DA SEMANA
Talvez não devamos perguntar apenas:
“O que desejo?”
Talvez devamos acrescentar:
“Por que desejo?”
“De onde nasceu?”
“O que espero encontrar quando conseguir?”
“Que preço estou disposto a pagar?”
“Este desejo respeita a mim e aos outros?”
E finalmente:
“O desejo que estou a alimentar está a levar-me para mais perto ou para mais longe de quem quero ser?”
Porque desejar faz parte de estar vivo.
Mas talvez a liberdade comece quando deixamos de ser apenas conduzidos pelos nossos desejos e começamos a compreendê-los, escolhê-los e responsabilizar-nos por aquilo que fazemos com eles.
NA PRÓXIMA SEMANA
📖 PARA APROFUNDAR ESTA EMOÇÃO
Esta reflexão e os exercícios da Semana 09 — Desejo foram inspirados e adaptados do livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, de Edmar Silva, especialmente do capítulo “Desejo — Da Atração, Vitalidade e Conexão”.
Na obra, o desejo é aprofundado nas suas dimensões corporal, psicológica, relacional e íntima, incluindo a importância da consciência, dos limites, do respeito e da integração entre impulso e escolha.
BIBLIOTERAPIA COM EDMAR — O ALFABETO DAS EMOÇÕES
Edmar Silva
O livro-base da Biblioteca das Emoções e do percurso pelas 27 emoções.
📚 OUTRA LEITURA DE EDMAR SILVA
ÂNCORA — SEMEIA A TUA HISTÓRIA
Para a semana do Desejo, escolheria este volume da coleção ÂNCORA.
Porque depois de perguntar:
“O que desejo?”
surge uma pergunta ainda mais importante:
“O que estou disposto a cultivar para que isso possa nascer?”
Desejo sem ação pode permanecer apenas imaginação.
A semente também contém uma possibilidade.
Mas precisa de escolha, terra, cuidado, tempo e continuidade para germinar.
Assim, depois de identificar aquilo que verdadeiramente deseja, experimente perguntar:
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