quinta-feira, 17 de setembro de 2020

SEMANA 13 — INTERESSE

Da Curiosidade, Exploração e Expansão Cognitiva

Quando foi a última vez que aprendeu alguma coisa simplesmente porque queria saber?

Não porque precisava.

Não porque iria receber um certificado.

Não porque alguém lhe pediu.

Não porque seria avaliado.

Não porque iria ganhar dinheiro.

Mas simplesmente porque alguma coisa dentro de si perguntou:

“Como será?”

“Porquê?”

“O que existe aqui que ainda não conheço?”

É neste território que encontramos a décima terceira emoção da nossa Biblioteca das Emoções:

INTERESSE

No livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, o interesse é apresentado como um motor da curiosidade, aprendizagem e exploração. É aquilo que nos impele a investigar e compreender tanto o mundo que nos rodeia como o nosso próprio universo interior.

Talvez exista dentro de cada pergunta verdadeira uma pequena porta.

O interesse é aquilo que nos faz querer abri-la.


QUANDO DEIXÁMOS DE PERGUNTAR “PORQUÊ?”

Observe uma criança.

Pergunta:

Porquê?

E depois:

Porquê?

E outra vez:

Mas porquê?

A criança ainda não aprendeu que algumas perguntas são consideradas desnecessárias.

Ela quer descobrir.

Toca.

Experimenta.

Observa.

Pergunta.

Imagina.

Talvez uma parte importante do desenvolvimento não seja apenas aprender respostas.

Talvez seja também conseguir não perder completamente a capacidade de fazer perguntas.

Por isso:

“Em que momento da minha vida comecei a ter mais respostas do que perguntas?”


SABER MUITO PODE TORNAR-SE UM OBSTÁCULO

Existe um paradoxo interessante.

Quanto mais sabemos sobre alguma coisa, mais facilmente podemos pensar:

“Já conheço.”

Já conheço aquela pessoa.

Já conheço aquele lugar.

Já sei o que ela vai dizer.

Já li sobre isso.

Já tenho a minha opinião.

Mas talvez “já sei” seja uma das frases que mais rapidamente fecham a porta ao interesse.

Imagine olhar para alguém com quem vive há vinte anos e perguntar:

“O que existe em ti que eu ainda não conheço?”

Ou olhar para si próprio:

“O que existe em mim que ainda não descobri?”

Talvez conheçamos menos do que imaginamos.


INTERESSE NÃO É APENAS ACUMULAR INFORMAÇÃO

Vivemos rodeados de informação.

Abrimos uma página.

Depois outra.

Um vídeo.

Uma notícia.

Uma publicação.

Um comentário.

Outra pesquisa.

Ao fim de uma hora vimos dezenas de coisas.

Mas pergunte:

“O que realmente aprofundei?”

O próprio capítulo alerta para a dispersão quando muitos estímulos captam a nossa atenção sem que nenhum se consolide como foco, e também para a possibilidade de permanecermos indefinidamente a pesquisar sem transformar interesse em ação.

Existe uma diferença importante entre:

CONSUMIR INFORMAÇÃO

e

CULTIVAR CONHECIMENTO.


E EM SI?

Pense agora:

Que assuntos fazem perder a noção do tempo?

Que livros procura espontaneamente?

Sobre o que gosta de conversar?

Que perguntas aparecem repetidamente na sua vida?

Existe algum assunto sobre o qual sempre quis aprender mais?

Que capacidade gostaria de desenvolver simplesmente pelo prazer de aprender?

Quando conhece alguém, procura realmente descobri-lo ou rapidamente o coloca numa categoria?

E uma pergunta especialmente importante:

“A minha vida atual ainda contém espaço para aquilo que desperta a minha curiosidade?”


INTERESSAR-SE PELO OUTRO

Existe uma dimensão muito bonita no capítulo.

O interesse não acontece apenas diante de ideias.

Também acontece entre pessoas.

Quando existe interesse genuíno pelo outro, queremos conhecer:

A sua história.

O que pensa.

O que sente.

O que viveu.

O que sonha.

O que teme.

O que aprendeu.

O livro associa esse interesse genuíno ao fortalecimento dos vínculos, da empatia e de interações mais profundas.

Talvez algumas relações não terminem porque deixou de existir afeto.

Talvez comecem a empobrecer quando deixamos de ter curiosidade pela pessoa que está diante de nós.


UMA PERGUNTA QUE PODE MUDAR UMA RELAÇÃO

Escolha alguém que conhece há muito tempo.

Esta semana pergunte-lhe alguma coisa que nunca perguntou.

Não precisa ser íntima.

Pode ser:

“Existe alguma coisa que sempre quis aprender e nunca teve oportunidade?”

Ou:

“Qual foi uma experiência que mudou a sua forma de ver a vida?”

Ou simplesmente:

“Há alguma coisa sobre si que acha que eu ainda não conheço?”

Depois faça algo difícil:

Escute sem transformar imediatamente a resposta numa história sobre si próprio.

Apenas descubra.


EXERCÍCIO DA SEMANA

SETE DIAS DE CURIOSIDADE

Durante os próximos sete dias, escolha uma pergunta por dia.

Não precisa ser profunda.

Mas precisa ser verdadeira.

Algo que realmente queira compreender.

Escreva:

HOJE FIQUEI CURIOSO SOBRE…

Depois investigue durante 15 minutos.

Pode ler.

Pesquisar.

Perguntar a alguém.

Observar.

Experimentar.

Ou simplesmente refletir.

No final escreva:

O que descobri? __________

O que me surpreendeu? __________

Que nova pergunta nasceu desta descoberta? __________

Esta última é a mais importante.

Porque uma boa aprendizagem nem sempre termina numa resposta.

Às vezes termina numa pergunta melhor.


O EXERCÍCIO DO “NÃO SEI”

Existe ainda outra experiência.

Durante esta semana, observe quando disser ou pensar:

“Eu sei.”

Pare.

Pergunte:

“O que talvez eu ainda não saiba sobre isto?”

Experimente especialmente diante de:

uma pessoa;

uma opinião diferente;

um assunto que conhece bem;

um problema recorrente;

uma crença antiga;

ou até de si próprio.

Talvez descubra que:

“Não sei” pode não ser o fim do conhecimento. Pode ser o início da curiosidade.


DA CURIOSIDADE À PROFUNDIDADE

Agora escolha, entre todas as perguntas da semana, uma que gostaria realmente de aprofundar.

E comprometa-se com ela durante os próximos 30 dias.

Escolha:

um livro;

um curso;

uma conversa;

uma experiência;

uma investigação;

uma prática.

Não dez coisas.

Uma.

Porque o interesse precisa de espaço para aprofundar-se.

O livro recomenda precisamente seguir a curiosidade, formular perguntas, reduzir distrações, alternar concentração e descanso e relacionar aquilo que aprendemos com a nossa experiência pessoal.


INTERESSE POR SI PRÓPRIO

Agora chegamos à parte que considero especialmente importante para a Biblioterapia com Edmar.

Podemos passar anos a estudar o mundo.

E continuar estrangeiros dentro de nós.

Por isso pergunte:

“Tenho curiosidade por mim próprio?”

Quando surge uma emoção inesperada, pergunto:

“Por que estou a sentir isto?”

Ou imediatamente julgo?

Quando repito um comportamento, pergunto:

“O que existe aqui?”

Ou apenas digo:

“Eu sou assim.”

Quando tenho um sonho estranho, uma reação intensa, uma memória inesperada ou uma contradição:

investigo ou descarto?

Talvez autoconhecimento comece menos com:

“Eu sei quem sou.”

e mais com:

“Tenho interesse em continuar a descobrir quem sou.”


NO FINAL DOS SETE DIAS

Releia as sete perguntas.

Depois responda:

“Sobre que assuntos a minha curiosidade regressa espontaneamente?”

“O que isso revela sobre aquilo que é importante para mim?”

“Onde estou apenas a consumir informação?”

“O que gostaria verdadeiramente de aprofundar?”

E finalmente:

“O que deixei de explorar porque comecei a acreditar que já era tarde demais para aprender?”

Talvez uma língua.

Um instrumento.

Uma profissão.

Uma arte.

Um tema.

Uma viagem.

Uma parte de si.


A PERGUNTA DA SEMANA

O livro encerra este capítulo apresentando o interesse como uma emoção que sustenta aprendizagem, criatividade e crescimento, ligando-nos ao mundo através da curiosidade, abertura e envolvimento.

Por isso, talvez a pergunta desta semana não seja:

“O que já sei?”

Mas:

“O que ainda tenho vontade de descobrir?”

Porque envelhecer não precisa significar perder a curiosidade.

Aprender não pertence apenas à escola.

Descobrir não pertence apenas à infância.

Enquanto existir uma pergunta verdadeira dentro de nós, talvez ainda exista uma parte de nós disposta a crescer.


NA PRÓXIMA SEMANA

SEMANA 14 — NOSTALGIA
Da Memória, do Tempo e da Doçura da Perda


📖 PARA APROFUNDAR ESTA EMOÇÃO

Esta reflexão e os exercícios da Semana 13 — Interesse foram inspirados e adaptados do livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, de Edmar Silva, especialmente do capítulo “Interesse — Da Curiosidade, Exploração e Expansão Cognitiva”.

Na obra, o interesse é aprofundado na sua relação com curiosidade, aprendizagem, criatividade, motivação intrínseca, relações humanas e exploração do mundo exterior e interior.

BIBLIOTERAPIA COM EDMAR — O ALFABETO DAS EMOÇÕES

Edmar Silva

O livro-base da Biblioteca das Emoções e do percurso pelas 27 emoções.


📚 OUTRA LEITURA DE EDMAR SILVA

ÂNCORA — CARTAS PARA O INCONSCIENTE

Para a Semana do Interesse, escolheria novamente Cartas para o Inconsciente, mas agora por uma razão diferente da Confusão.

Porque existe uma curiosidade dirigida para fora:

“O que existe no mundo que ainda não conheço?”

E existe outra dirigida para dentro:

“O que existe em mim que ainda não compreendo?”

Memórias, sonhos, imagens, associações, pensamentos inesperados e perguntas interiores podem transformar-se em territórios de investigação sobre nós próprios.

Assim, as duas leituras encontram-se numa palavra:

CURIOSIDADE

Não aquela que procura respostas rápidas.

Mas aquela que consegue permanecer algum tempo diante de uma pergunta.

E deixaria o leitor com esta:

“Se eu me observasse com curiosidade em vez de julgamento, o que poderia começar a descobrir sobre mim?”

Edmar Silva
Biblioterapia com Edmar

LER. SENTIR. COMPREENDER. TRANSFORMAR.

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