A Emoção do Equilíbrio e da Regulação Interna
Quando foi a última vez que esteve verdadeiramente em silêncio — por fora e por dentro?
Vivemos rodeados de estímulos.
Mensagens.
Notificações.
Compromissos.
Prazos.
Problemas.
Conversas.
Pensamentos.
Coisas que aconteceram ontem.
Coisas que precisam ser resolvidas hoje.
E coisas que talvez aconteçam amanhã.
Até que chega um momento em que podemos confundir uma vida permanentemente ocupada com uma vida verdadeiramente vivida.
Mas existe uma emoção que não grita.
Não exige.
Não corre.
Não precisa provar nada.
A sétima emoção da nossa Biblioteca das Emoções convida-nos simplesmente a:
PARAR.
CALMA
No livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, a calma é apresentada como um estado emocional profundamente regulador. Ela não significa ausência de emoção; representa um estado de equilíbrio interno no qual corpo e mente podem encontrar maior harmonia, estabilidade e clareza.
E esta distinção é fundamental:
**Calma não é deixar de sentir.
É conseguir sentir sem ser imediatamente arrastado por aquilo que sentimos.**
SERÁ QUE SABEMOS ESTAR CALMOS?
Imagine que não tem nada para fazer durante quinze minutos.
Sem telemóvel.
Sem televisão.
Sem música.
Sem conversar.
Sem trabalhar.
Sem ler.
Sem procurar alguma coisa para ocupar a mente.
Apenas quinze minutos consigo.
O que aconteceria?
Sentiria tranquilidade?
Ou começaria imediatamente a procurar alguma coisa para fazer?
Talvez a dificuldade em parar nos revele algo importante:
nem sempre estamos cansados apenas daquilo que fazemos; podemos estar cansados daquilo que nunca permitimos que pare dentro de nós.
CALMA NÃO É PASSIVIDADE
Existe uma ideia particularmente importante no capítulo:
“A verdadeira calma não é desligamento — é presença.”
Porque podemos confundir calma com não reagir.
Com evitar conflitos.
Com guardar aquilo que sentimos.
Com desistir.
Com ficar indiferentes.
Mas uma pessoa calma também pode:
A diferença talvez esteja no lugar interior de onde nasce a resposta.
Uma coisa é reagir. Outra é responder.
Entre aquilo que acontece e aquilo que fazemos pode existir um pequeno espaço.
E muitas vezes é nesse espaço que encontramos a calma.
E EM SI?
Pense nos últimos dias.
O que mais tem roubado a sua calma?
Uma pessoa?
Uma preocupação?
Uma decisão?
Uma relação?
Uma obrigação?
Uma expectativa?
Ou os seus próprios pensamentos?
Agora pergunte:
Quando fico agitado, o que acontece primeiro no meu corpo?
Percebo os sinais ou só noto quando já estou emocionalmente saturado?
Tenho dificuldade em parar porque sinto que deveria estar sempre a produzir alguma coisa?
Sinto culpa quando descanso?
Quantas vezes pego no telemóvel simplesmente porque surgiram alguns segundos de silêncio?
Consigo estar comigo sem precisar de distração?
E uma pergunta ainda mais importante:
“A minha vida tem espaços de calma — ou apenas intervalos entre duas urgências?”
EXERCÍCIO DA SEMANA
OS 10 MINUTOS QUE NÃO PRECISAM DE SERVIR PARA NADA
Durante os próximos sete dias, escolha dez minutos.
Sempre que possível, aproximadamente no mesmo período do dia.
Durante esses dez minutos:
Não trabalhe.
Não consulte mensagens.
Não veja redes sociais.
Não leia notícias.
Não tente resolver problemas.
Não precisa sequer “meditar corretamente”.
Apenas esteja.
Sente-se.
Ou caminhe lentamente.
Observe a respiração.
Observe o corpo.
Observe os sons.
Observe os pensamentos.
Mas tente não lhes responder imediatamente.
Se surgir:
“Tenho de fazer…”
observe.
Se surgir:
“Não posso esquecer…”
observe.
Se surgir:
“E se acontecer…”
observe.
Não precisa lutar contra o pensamento.
Apenas não precisa segui-lo.
DEPOIS DOS 10 MINUTOS
Pegue numa folha e responda:
Como estava o meu corpo antes? __________
Como está agora? __________
Qual foi o pensamento que mais tentou retirar-me do presente? __________
Que emoção apareceu quando parei? __________
Foi fácil ou difícil permanecer comigo? __________
E termine com:
“Hoje percebi que, quando paro…”
Complete a frase.
Faça isto durante sete dias.
O MAPA DOS LADRÕES DA CALMA
Agora proponho uma segunda experiência.
Divida uma folha em duas partes.
De um lado escreva:
O QUE ROUBA A MINHA CALMA
Do outro:
O QUE ME DEVOLVE A MIM
Não escreva aquilo que teoricamente deveria fazer-lhe bem.
Escreva aquilo que realmente observa em si.
Talvez descubra:
O capítulo refere precisamente que a calma pode surgir em experiências muito simples — caminhar num lugar familiar, estar com pessoas de confiança, fazer uma pausa, respirar ou observar a natureza.
UMA EXPERIÊNCIA: ANTES DE RESPONDER
Escolha ainda uma situação esta semana em que normalmente reagiria imediatamente.
Uma mensagem.
Uma crítica.
Uma provocação.
Uma discordância.
Um pedido.
Uma situação inesperada.
Antes de responder:
PARE.
Faça uma respiração consciente.
Observe o corpo.
Pergunte:
“O que estou a sentir?”
Depois:
“O que tenho vontade de fazer?”
E finalmente:
“É isso que escolho fazer?”
Talvez sejam apenas alguns segundos.
Mas nesses segundos acontece algo muito importante:
a emoção deixa de decidir sozinha.
O livro relaciona a calma precisamente com menor reatividade, presença, clareza e maior espaço interno para pensar, sentir e agir conscientemente.
NO FINAL DOS SETE DIAS
Volte aos seus registos.
E responda:
“O que descobri sobre a minha relação com o silêncio?”
Depois:
“O que descobri sobre a minha necessidade de estar constantemente ocupado?”
E finalmente:
“O que preciso retirar da minha vida para criar mais espaço dentro dela?”
Esta última pergunta é importante.
Porque talvez cultivar calma não signifique acrescentar mais uma atividade à agenda.
Talvez signifique retirar algumas.
O próprio livro fala da importância de reduzir ruído, estímulos digitais e aquilo a que chama “urgência artificial”, além de respeitar o próprio ritmo e regressar ao momento presente.
A PERGUNTA DA SEMANA
Há uma passagem do capítulo que sintetiza muito bem o sentido desta emoção:
a calma cria espaço para sentir sem se perder, pensar sem se confundir e agir sem se precipitar.
Talvez seja exatamente isso.
Não precisamos de uma vida sem problemas para experimentar calma.
Não precisamos controlar todas as circunstâncias.
Não precisamos esperar que tudo fique resolvido.
Podemos começar a construir um lugar dentro de nós ao qual conseguimos regressar.
Por isso, durante esta semana leve consigo esta pergunta:
“Quando tudo à minha volta faz barulho, consigo ainda escutar aquilo que acontece dentro de mim?”
Talvez a calma não seja um lugar onde finalmente chegamos.
Talvez seja um lugar para onde aprendemos a regressar.
NA PRÓXIMA SEMANA
📖 PARA APROFUNDAR ESTA EMOÇÃO
Esta reflexão e os exercícios da Semana 07 — Calma foram inspirados e adaptados do livro Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções, de Edmar Silva, especialmente do capítulo “Calma — A Emoção do Equilíbrio e da Regulação Interna”.
No livro encontrará esta emoção desenvolvida com maior profundidade, incluindo as suas funções, manifestações e formas de a cultivar no quotidiano.
BIBLIOTERAPIA COM EDMAR — O ALFABETO DAS EMOÇÕES
Edmar Silva
Este é o livro-base da Biblioteca das Emoções e o ponto de partida para o percurso das 27 semanas.
📚 OUTRA LEITURA DE EDMAR SILVA
ÂNCORA — A ARTE DE ESTAR CONSCIENTE
Depois de explorar a Calma, este volume da coleção ÂNCORA pode prolongar a experiência através de uma ideia central:
estar consciente não significa controlar tudo aquilo que sentimos; significa aprender a observar o que acontece em nós antes de reagirmos automaticamente.
A calma cria espaço.
A consciência permite-nos perceber o que fazemos com esse espaço.
Por isso, depois dos exercícios desta semana, deixo-lhe uma última pergunta:
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