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sexta-feira, 10 de julho de 2020

A teoria dos setênios - Rudolt Steiner

Os ciclos da vida a cada 7 anos

Rudolt Steiner (filósofo e educador húngaro/austríaco  1861-1825) foi o desenvolvedor da antroposofia, que nada mais é do que uma linha de pensamento que estabelece uma “pedagogia do viver”. Esta ciência parte do princípio de que o ser humano  tem que conhecer a si para poder assim conhecer o universo, pois todos fazem parte integrante de um sistema.

Neste estudo encontra-se uma forma cíclica de entender a vida chamada “Teoria do Setênios”, que foi elaborada a partir da observação dos ritmos da natureza aliados ao sentidos da vida. Tal teoria divide a vida em fases de sete anos. Por isso o nome “Setênios”.

A teoria dos setênios nos ajuda a compreender a condição cíclica da vida, em que a cada ciclo soma-se os conhecimentos adquiridos no anterior e busca-se um novo desafio. Claro que esta teoria pode também ser entendida como uma metáfora sistêmica, sabemos que as pessoas mudaram de um século para o outro, nosso desenvolvimento está mais acelerado, nosso organismo mais adaptado, talvez nem todas as descrições dos setênios façam tanto sentido hoje, mas ela continua atual em sua perceção do ser humano e suas fases. Assim, os setênios, não são exatamente sete anos no tempo cronológico, mas a cada ciclo de X anos, de tempos em tempos.

Primeiro Setênio – 0 a 7 anos

Nesta fase, todo  seu aprendizado em relação ao mundo, proporciona o movimento livre, a corrida, as brincadeiras, deve permitir que a criança teste e conheça seu corpo, seus limites e suas perceções de mundo. Por isso o espaço físico é muito importante, bem como o espaço do pensar e o do viver espiritual. É nesta fase que onde a criança pensa que é o centro das atenções.. Onde todas a as ações da a criança são policiadas. A palavra que a criança mais ouve é; Cuidado, não faz isso, ou não toque ai! 

Segundo Setênio – 7 a 14 anos

O segundo setênio marca a passagem de criança,  do mundo estritamente familiar, para o mundo social.

É nesta fase que a autoridade dos pais e também dos mestres ganha um papel de importância, pois serão eles os mediadores do mundo no qual a criança será inserida. É importante verificar no entanto que a autoridade excessiva fará a criança ter uma visão cruel e pesada do mundo.

Contudo, se a autoridade e a cobrança dos país e professores é mais fluída e sem ressonância, a criança achará que o mundo é de total liberdade, e isso fará com que ela tenha comportamentos. É, portanto, o papel dos adultos determinar a imagem de mundo que a criança terá. E nesta faze que a criança se descobre que afinal ela não é centro das atenções.

Terceiro Setênio – 14 a 21 anos

Essa é a fase em que a identidade começa a ser formada.  É a fase em que não se quer pais, professores e outros adultos pegando no seu pé. Aqui o corpo já está formado e é quando acontecem as primeiras trocas com a sociedade.

Quando se chega neste setênio, o corpo já não necessita mais de tanto espaço para a locomoção e o ‘espaço’ agora tem outro sentido, o da possibilidade de ‘ser’. É aqui a fase em que se precisa se auto reconhecer e ser reconhecido. É o momento em que se questiona a tudo e a todos.

Mas é aqui também a fase do discernimento. É quando as escolhas de carreira e profissão são feitas. É a época do vestibular, do primeiro emprego e do início da liberdade de vida econômica.

Quarto Setênio – 21 a 28 anos

Neste período é comum as pessoas “ganharem o mundo”, ou seja, viverem novas experiências, conhecerem gente e lugares diferentes da família, da escola e da turma.

Este é um ciclo de emancipação em todos os níveis. Ainda assim, é uma fase em que os outros influenciam muito na tomada de  decisões, pois a sociedade dirá o ritmo da vida de cada pessoa.

Neste setênio os valores, lições de vida e aprendizados começam a ter mais sentido. Nossas energias já estão mais pacificadas e ter nosso lugar no mundo passa a ser o objetivo principal. Quando não se atinge os objetivos, muita ansiedade e frustração são geradas.

Quinto Setênio – 28 a 35 anos

É nesta fase que a maioria das pessoas, depois de ter experimentado um pouco do que o mundo oferece começa a pensar em se estabelecer na vida. É também quando há um abalo de identidade, a cobrança pelo sucesso ainda não atingido, e o início das frustrações e da tristeza por se ter a certeza de não se poder tudo.

Existe muita sensação de angústia e de vazio entre aqueles que estão nesta fase. Os gostos mudam e as pessoas têm a sensação de não se conhecerem. Sentem-se impotentes durante esta passagem da juventude para a maturidade, quando têm de deixar de lado a impulsividade para passar a encarar a vida com mais responsabilidade.

Sexto Setênio – 35 a 42 anos

Geralmente é neste setênio que surge a necessidade de encontrar um propósito maior para a existência. Apesar das conquistas profissionais, financeiras e familiares, e mesmo estando aparentemente bem, as pessoas podem se sentir vazias e angustiadas. Muitas duvidam da própria capacidade de manterem o que foi conquistado. É o momento de rever a história da vida, fazer um balanço. muitos mudam de profissão ou iniciam uma segunda carreira neste período.

Sétimo Setênio – 42 a 49 anos

Ao chegar a este ponto da estrada e olhar para trás, é comum as pessoas sentirem necessidade de encontrar resposta sobre o sentido da vida. O desejo de ter  uma missão se torna muito forte. A sensação  de ter perdido tempo ou ter se desviado do caminho pode aparecer. Mas, em vez de se levar a conclusões negativas, é hora de abraçar uma chance de retornar a missão e os talentos que ficam perdidos pelo caminho.

Oitavo Setênio – 49 a 56 anos

O declínio da vitalidade física não precisa nem deve representar um declínio de todas as esferas da vida.

Aqui há o desenvolvimento do espírito. Este é um setênio positivo e tranquilo. É quando você percebe que as forças energéticas voltam a ficar centradas na região central do corpo. O sentimento da ética, do bem-estar, da moral, e das questões universais e humanísticas  também se mostram em maior evidência.

Nono Setênio – 56 a 63 anos

Quem fez o que tinha que ser feito, tende a chegar a essa etapa com o coração cheio de gratidão pelas conquistas e pela colheita recebida ao longo da vida. Já aquelas que ficaram perdido pelo caminho podem ser tomados por intensa sensação de amargura.

Neste setênio é importante estimular a memória e a mudança de hábitos. Isso porque o período da reforma pode se mostrar como algo limitador, principalmente para quem sempre focou a vida no estatuto profissional e que agora acredita que não terá outra forma de se autorrealizar.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Ondas de Kondratiev

 Ondas de Kondratiev: o que são?

As Ondas de Kondratiev, também conhecida como Teoria dos Ciclos Longos ou Teoria dos Ciclos de Kondratiev, foi criada por Nikolai Kondratiev, um economista russo. Ele escreveu a teoria na antiga União Soviética. De forma resumida, ela pode ser entendida assim:

A teoria do economista defende que a economia global tem uma dinâmica única. Dizia que, a partir da Primeira Revolução Industrial, a economia se constitui em ciclos, nos quais as fases de expansão econômica são sempre seguidas de fases de recessão.

Tanto o lado socialista quanto o capitalista do mundo não aceitaram a teoria de Nikolai. O lado soviético acreditava que o capitalismo não iria se recuperar após a Crise da Bolsa de 1929. Por outro lado, os defensores capitalistas não aceitaram bem a ideia de que o capitalismo enfrentaria crises econômicas de tempos em tempos.

A teoria dos ciclos de Kondratiev (também escrita em outra grafia: Kondratieff) parece ser complicada, mas é bastante simples. Para entendê-la, é necessário voltar na história e ver os ciclos citados pelo criador da teoria.

Primeiro ciclo

O processo dinâmico deve ser explicado começando pelo primeiro ciclo longo, que originou-se em 1790 no início da Primeira Revolução Industrial. Nesse momento o capitalismo estava começando a se tornar o que é hoje.

O período ficou marcado pela criação da máquina a vapor e das indústrias têxteis, criando novas oportunidades de lucro, fazendo muitos apostarem nesse ramo. Houve uma superprodução e grandes lucros do setor, o que caracterizou a fase A.

Começa então a existir uma produção muito alta e uma concorrência que prejudica a lucratividade das outras empresas. Assim, em 1820, começou a fase recessiva do ciclo, que é a fase B.

Os períodos recessivos são acompanhados pelo surgimentos de novas invenções que, quando aplicadas no mercado, acabam impulsionando uma nova fase de crescimento. Isto é, a fase A.

As principais inovações da fase depressiva desse primeiro ciclo foram os meios de transporte movidos a vapor, como os navios e os trens.

Segundo ciclo

O primeiro ciclo acabou em 1848 e logo começou o segundo. Como dito, na fase depressiva do primeiro ciclo surgiram os transportes movidos a vapor. Logo, o segundo ciclo começa com a aplicação dessas invenções, transformando-as em inovações e impulsionando uma nova expansão.

Isso culminou com a abertura de novas oportunidades de mercado e atraiu investimentos, o que resultou em lucros altíssimos. Diversas pessoas investiram nesse mercado e, dessa forma, aumentou-se a produção e também a concorrência. Esse cenário gerou uma nova fase decadente, em meados de 1873.

Com essa fase B, novas invenções precisaram surgir, como a eletricidade e o motor a combustão. Tais inovações foram implantadas no mercado e, em 1896, iniciou-se uma nova fase ascendente – fase A.

Terceiro ciclo

Começou na Segunda Revolução Industrial, liderado por Alemanha e Estados Unidos.  Período que iniciou o capitalismo financeiro. Na fase recessiva, foram criados o avião a jato, telecomunicações e o uso massivo do petróleo.

Quarto ciclo

O quarto ciclo acontece até os dias de hoje e está ligado à Terceira Revolução Industrial. Sua fase A teve início em 1948 e estendeu-se até 1973. A fase B, continua até hoje e é marcada por invenções tecnológicas como robótica, biotecnología, informática e nanotecnologia.

Entretanto, a fase recessiva, ou fase B, está durando um tempo muito maior do que nos ciclos anteriores. Isso acontece porque a partir dos anos pós-Segunda Guerra Mundial, as nações – principalmente as pertencentes ao bloco capitalista – passaram a adotar processos de administração, mais especificamente pela intervenção de seus Bancos Centrais.

Os Bancos Centrais, muitas vezes, intervêm na economia para tentar evitar problemas maiores com as crises econômicas. Por mais que a intenção seja ajudar, esse intervencionismo não consegue fazer a crise desaparecer e, cedo ou tarde, os efeitos da crise aparecerão, podendo até virem de forma mais grave.

Eles atuam tentando gerenciar o descompasso entre a economia concentrada em produtos e serviços e a economia centrada no comércio de ações e títulos públicos.

Assim, adotam medidas para impedir que a crise prejudique os novos períodos de ascensão econômica, pois os investimentos não são revertidos em invenções que fariam surgir um novo ciclo. Em resumo, o que acontece atualmente é um descolamento entre a economia real (produção) e a virtual (mercado de ações).

Mas qual o motivo para essa intervenção?

O motivo para que haja esse intervencionismo dos Bancos Centrais é que as nações não querem passar pelo mesmo processo que ocorreu na Inglaterra no terceiro ciclo. Na época, as indústrias inglesas ficaram desatualizadas e isso proporcionou o aparecimento de nações mais fortes, como a Alemanha e os Estados Unidos.

Os governos desses e de outros países não querem passar pelo mesmo problema em virtude do início de um novo ciclo.

Conclusão

As Ondas de Kondratiev é uma teoria econômica explicada nos mais diversos cursos de Economia. Mesmo sendo especificamente dessa área, todos devem conhecê-la para entender melhor como o mundo e sua economia funcionam e compreender o que causa as crises financeiras.

Períodos de recessão são inevitáveis e acontecem depois de um período de auge econômico. Esse ciclo sempre acontece e, como visto, devem se repetir várias vezes.

Diversos governos começaram a intervir para tentar evitar que um novo ciclo ocorra. Mas, por mais que estejam conseguindo retardar, é praticamente certo que, cedo ou tarde, esse novo ciclo aconteça.

fonte: Ondas de Kondratiev: o que são e como podem ajudar você a entender a economia - André Bona (andrebona.com.br)